quinta-feira, 29 de março de 2012

"Kony 2012" Documentário/protesto, ou farsa?

Como um documentário atinge mais de 84 milhões de visualizações no youtube em apenas duas semanas? Como promover guerra se o que queremos é paz?

 Qual tem sido o perfil do jovem atual? Muito do que se discute na elite intelectual do mundo tem base nesse questionamento. Na verdade eles querem responder a pergunta: “Como CONTINUAR manipulando as massas, isto é, a população no geral, em um mundo que os evolui intelectualmente a cada dia?” A ferramenta mais utilizada para essa evolução tem sido a internet. Formadores de opinião têm surgido cada vez mais no youtube, facebook, etc., influenciando a população a se desenvolver intelectualmente, a pensar, a analisar, a se tornarem críticos. Com isso os jovens da atualidade estão perdendo o medo de se manifestar, de brigar por suas opiniões, de conseguirem o que querem.
 Esse desenvolvimento intelectual acarreta grandes revoluções como a história já nos contou, como na época das revoluções industrial, francesa, e como na época do iluminismo e das grandes reformas religiosas. O que como foi dito tem sido motivo de preocupação para a elite mundial, os grandes chefões, os poderosos.  Kony 2012, como o próprio documentário diz, foi um experimento: "Os próximos 27 minutos são uma experiência. Mas para que isso funcione, você tem que prestar atenção .". Uma “experiência” feita para testar a aceitação da geração “facebookzada” de uma ideia, que nesse caso, foi de uma invasão à África, eu particularmente costumo chamar esse tipo de invasão de guerra.
 No passado, quando governantes queriam invadir outra nação com tropas, ou mesmo declarar guerra contra outra nação, havia um pronunciamento, uma declaração formal em frente às câmeras, para demonstrar o porquê daquela invasão. No caso Kony , por um efeito de psicologia reversa, a invasão se torna “ativista”, uma exigência social, como se a entrada do exercito estadunidense em Uganda fosse uma vitória moral. Para quê criar revoltas sociais, se eu posso manipular as pessoas, fazendo-as acreditar que minha guerra é uma exigência delas? A Elite tem o poder de controlar a mídia, nesse caso em particular, ela faz a mídia colocar na cabeça das massas que eles têm a capacidade de lutar por seus direitos, criando uma espécie sensação de poder, quando na verdade é um efeito reverso, e manipulador.
 Como promover guerra se o que queremos é paz? Nada além da realidade. Kony 2012 promove guerra. Contra fatos não há argumentos. A forma de manipulação desse vídeo é no mínimo interessante. Ele coloca "Kony 2012" como uma exigência social, e que se você não ajudar, está sendo a favor de Kony. Tudo certo, quer dizer que agora eu (as massas) é que tenho o poder, ou melhor o DEVER, de colocar soldados americanos para promover guerra? Na verdade tudo não continua passando de uma manipulação das massas, sendo que, no momento em que o governo americano quisesse ele colocaria quantos soldados lhe desse na telha na África.
 Não que eu não acredite na força da união de um povo em conquista de suas exigências. É quase melódico isso. Soa como um sonho. Vê? Acredito! Na verdade isso seria ideal, com bons ideais. Entende o quanto é ideal? Estou na realidade afirmando que seria realmente ideal a união de uma nação para lutar por seus direitos. É quase como um sonho. Mas, quando uma pessoa cega, ou que seja, um grupo deles,  se junta para chegar a um lugar, e eles estão sendo guiados por uma pessoa que enxerga, e por ventura decidem que é seu direito seguir sozinhos em seu rumo, no que da? Entende?
 A questão principal é analisar tudo o que nos é apresentado, para tirarmos nossas próprias conclusões a respeito. Não iremos chegar a lugar algum. Quem possui visão continuará nos guiando, sem que talvez percebamos.
 Vamos um pouco mais a fundo. Quer dizer que agora a raiz de todos os problemas do mundo se tornou apenas Kony? Não que ele não seja um problema, a questão é que ele sozinho não é nada. Numa boa, não é "tem tanto problema acontecendo no mundo" ou "temos que começar por um ponto", se fossemos exigir, exigiríamos várias e várias coisas ao mesmo tempo. Ditaduras, como em Cuba e Coreia do Norte acabariam outras torturas infames que ocorrem na própria África, assim como na Índia também acabariam por um ponto: Guerra. Nem é tão difícil assim de se analisar. Um professor meu costumava, e costuma, dizer que não há guerras sem que haja um lado que esteja ganhando com ela. Historicamente ele está certo. Veja como os Estados unidos (EUA) se tornou potência no mundo. 1° e 2° guerras mundiais foram indispensáveis para os EUA, em que eles venderam armas para as grandes nações participantes e hoje são a maior potencia mundial. Assim como qualquer nação colonizada, a África foi criada para suprir necessidades econômicas de seus colonizadores. Quase ninguém sabe, mas este pequeno e pobre país possui importantes recursos naturais, e um razoável depósito de cobre e cobalto. Mas o ponto principal a ser explorado é a mão de obra extremamente barata.
 Não estou dizendo que sou a favor de Kony. Pelo contrário, ele tem que ser pego. Entretanto, existem métodos mais eficazes que causar uma guerra para isso. Os Estados Unidos conseguiram pegar Osama Bin Laden com a invasão no Afeganistão? Esse é outro ponto. Sabem por que Bin Laden se tornou inimigo de Estado da nação estadunidense? O documentário Fahrenheit aborda bem o tema, assista. Guerra só traz dor e sofrimento.
 Para quem não sabe, a questão das “crianças-soldado” é disseminada no continente Africano há décadas. E já foi tema de vários documentários. Isso demonstra que não existe apenas um “Joseph Kony”, mas vários. Basicamente, acabariam com um dos “Konys” da África. E a raiz do problema continuaria.
 Para que a alusão de Kony a Bin Laden e Hitler? Torna-lo tão conhecido como inimigo de Estado quanto os outros dois é um pouco furtivo. Ou melhor, todo o documentário é furtivo. A questão é coloca-lo em evidencia, é desenvolver seu “senso de justiça”, sua capacidade de associação e comparação. Ele quase nos insulta colocando uma criança para fazer uma associação. É como se ele dissesse “Até uma criança tem senso de justiça. E você?” E prendendo Kony o mundo se tornaria melhor? Certo, vamos acreditar nisso! E continuaremos vendo a África apodrecendo em fome e doenças, pobreza. Mas tudo bem, afinal, o Kony foi preso! Minha consciência está tranquila agora!
 Veja a ação tomada no vídeo, foi identificar um vilão, torna-lo conhecido, fazer com que a prisão dele se torne uma exigência social, justificando então uma ação militar no local. Disseminação de violência. A diferença para os casos de vilões anteriores é que fatos tiveram que ser demonstrados, mesmo que esses fatos tenham sido falsos, para justificar uma ação militar (como ocorreu com Bin Laden, Saddam Hussein). Com esse novo método, ou melhor, essa nova experiência, eles testaram uma forma de abordagem diferente.
 Emoções são usadas como estratégia de marketing no vídeo. Porque agir por fatos o raciocínio é mais fácil de ser utilizado. Tanto é que na primeira parte do documentário é demonstrado o sofrimento angustiante sofrido pelas crianças da África. Atingindo por fim o objetivo de induzi-lo a pensar que a causa de tudo é Joseph Kony. Pronto. O objetivo está formado e concluído. Sem se analisar a devastação que ocorreu historicamente naquele continente acarretando tanta angustia.
Mas a principal questão a ser abordada é: “Como um documentário atinge mais de 84 milhões de visualizações no youtube em apenas duas semanas?”. Vê que há algo errado aí? Como eu disse, o vídeo foi feito para disseminação, ou seja, para a geração “facebookzada”. Como esse vídeo chegou tão rápido aos ouvidos de grandes celebridades, e foi apadrinhado por elas? Digo mais, a causa ganhou padrinhos políticos também. Oh! Os políticos estão preocupados com o bem estar das crianças africanas. Estranhamente um dos padrinhos do projeto é o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, belicista e causador da guerra no Afeganistão e Iraque. Estranho? Talvez.
 Alguém, por ventura, decidiu questionar se o povo de Uganda apoia “Kony 2012?

       Por fim deixo a vocês a imagem o logotipo da TRI (responsável pelo documentário, e pela campanha), um sinal da "paz" invertido. O que é contrario a paz?


Fonte de pesquisa: http://danizudo.blogspot.com.br/2012/03/kony-2012-propaganda-do-estado-para-uma.html Muito bom o blog. Recomendo!