Aos que enojam o voto, e o veem como um mártir, assimilem o que estamos comento. Aqueles que ignoram a conquista histórica que foi a democracia no Brasil, enxerguem o bicho que estamos nos tornando. O voto é o único direito ao veto. Veja bem, direito, e não dever.
Não foi para sermos obrigados a votar que vencemos a ditadura. Não foi para vivenciar, estupefatos, o sistema político brasileiro apodrecer, que lutamos, e morremos, para escolhermos quem colocar no poder.
A democracia no Brasil é nova, quase uma recém-nascida comparada a romana. Entretanto, em tão pouco tempo esse direito nos fez colocar tanta carne putrefata na liderança de nosso pais. Seria pela obrigatoriedade?
Muitos dizem que se houvesse o fim do voto obrigatório, a compra dele aumentaria exacerbadamente. Enganam-se eles que não sabem, ou melhor, fingem não saber, que ainda existem os chamados currais eleitorais, e que a proibição não impede os candidatos e os eleitores de comprarem e venderem seus votos.
Ainda que votar, hoje, seja um dever, temos a opção pelo voto nulo. Votar nulo, significa, praticamente não votar. Sendo que, não há destino algum para a nulidade do voto. Além disso, o eleitor só iria comparecer a sua zona eleitoral se ele tivesse plena consciência do valor de seu voto.
O voto por vontade própria demonstra interesse. Interesse do eleitor em quem ele quer colocar no poder de sua nação. O tão chamado voto consciente se encaixa perfeitamente nesse contexto. E mais que simplesmente prometer, o candidato teria que honrar suas promessas, para conquistar os eleitores, o que o levaria a reeleição. Além de medir seus passos, para o não envolvimento com polêmicas políticas, o que acarretaria o fim de sua carreira.
O voto é o veto. O veto a corrupção, ao tédio, ao nojo e ao ódio. Aos “cegos” que sabem, mas ão deviam, não merecem esse direito, muito menos como dever. E ao invés de sermos aquele “bicho, meu Deus, comendo lixo” ( Manuel Bandeiras), semos “uma flor. Que rompeu o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.” (Carlos Drumond Andrade). Honrando nossa nação, através do voto, com uma política justa.